O multi homem Antônio Celso Barbieri escreveu um texto sobre nosso
disco, o qual só podemos classificar como PERFEITO (devido ao
entendimento de nosso trabalho e a identificação histórica e
referencial). Agradecemos pelas suas palavras e nos orgulhamos muito de
ter alguém tão gabaritado avaliando (e aprovando) nosso esforço...
OBRIGADO:
Barbieri Indica: Modus Operandi - Vício, Virtude, Violência (Dezembro de 2017)
Escutem aqui:
https://www.podsnack.com/Barbieri/avunaphu
Hoje em dia, quando ouvimos alguma banda de rock extremo incorporando
no seu trabalho sons de máquinas (máquinas de furar, serras elétricas,
percussões batendo martelos em pedaços de metal, etc), inevitavelmente
teceremos comparações com bandas como Ministry, Die Krupps ou Young Gods
(só para citar algumas), portanto quando ouvi este EP da banda Modus
Operandi chamado Vício, Virtude, Violência imediatamente notei as suas
influências. No entanto, como conhecedor do trabalho da antiga banda
alemã Einstürzende Neubauten que desde o começo dos anos 80 vem fazendo
música, usando instrumentos construídos por eles mesmos, fazendo ritmos
usando pedaços de metal retirados de depósitos de ferro velho, assim
como usando sons de máquinas, sei que as influências do pessoal do Modus
Operandi vão bem mais longe. Mesmo porque no mundo da música clássica o
uso de máquinas e a “preparação ou modificação” de instrumentos
musicais já vinha sendo feita à muito tempo! Se tiverem curiosidade
chequem o trabalho de John Cage e György Ligeti.
John Cage foi
um compositor norte americano e teorista musical, um pioneiro sobre o
uso da música indeterminada, da música eletroacústica e do uso de
instrumentos musicais tradicionais mexidos ou com afinações estranhas.
Cage foi, depois da Segunda Guerra Mundial, uma das figuras líderes do
avant-garde na música moderna. Os críticos especializados o consideram
como sendo o mais influêncial compositor do século 20.
György
Ligeti foi um compositor de música clássica contemporânea, descrito como
sendo um dos mais importantes compositores de música avant-garde da
última metade do século 20. Ele também foi considerado um dos mais
criativos e influenciais músicos entre as figuras mais progressistas dos
seu tempo.
Desculpem-me a insistência na parte didática dos meus
textos, mas, aqui no caso da banda Modus Operandi, fica claro que este
projeto carrega na sua alma, de forma consciente ou não, a tradição
destas bandas, artistas, estilos e porque não dizer "escolas".
Mas, vamos conferir o álbum Vício, Virtude, Violência:
1. M.A.L. - Logo na primeira faixa a banda prepara de forma
minimalística o ouvinte, para o clima urbano e pós apocalíptico que
permeará todo o álbum. Esta música trás um solo de gaita estranho
trazendo uma sensação de deslocamento em relação ao todo musical. Pude
até imaginar um mendigo maltrapilho, sem esperança, tocando sem saber,
seu último solo de gaita em meio à uma cena de total devastação nuclear!
2. U.M.A. - Esta faixa agradou-me muito. O teclado faz a cama para o
ritmo da bateria seguido de perto pelo baixo e de forma hipnótica nos
prepara para a poesia falada com uma letra irretocável. Cabe lembrar que
não estamos falando aqui de hap. Em todo este trabalho a coisa esta
mesmo mais para poesia interpretada com emoção e sabor de intervenção.
3. Barbárie - Aqui temos um comentário direto sobre a realidade urbana
violenta vivida no Brasil de hoje. O arranjo instrumental respeita
perfeitamente a proposta musical do grupo onde o destaque mesmo, fica
por conta da letra poderosa um verdadeiro turismo macabro pelas cidades
brasileiras.
4. Ad Baculum - "Na dúvida o instinto define a
culpa, o castigo e o crime!" Outra faixa inteligente onde a música
obedientemente se serve ao poder do trabalho vocal, ao poder da letra.
5. Psicografia - "A guerra está na sua cabeça! O inimigo está em outro lugar!". Perfeito!
6. Holocausto - Com toda esta devastação e mortes na Síria e outros
países árabes, talvez esta música apenas deveria ser intitulada
"Guerra". Esta música ritmicamente me fez lembrar um exército em marcha,
como um tanque de guerra destruindo tudo por onde passa. Esta faixa é a
mais longa e já aviso que ela não é do tipo fácil de ser ouvida pois
são quase 14 minutos dos quais aproximadamente os 70% finais são
compostos por um "solo" de máquina de furar ou serra elétrica, cortando
ou atritando sobre uma superfície metálica. Podemos então dizer que este
álbum tem um final "cáustico", modelo cadeira de dentista.
Conclusão, achei este álbum corajoso, criativo e interessante. Pena que é apenas um EP pois gostaria de ouvir mais! Parabéns!
Conforme pude verificar assistindo no Youtube o show do Modus Operandi
ao vivo no Teatro Gamboa Nova em Salvador acontecido no dia 21 de
fevereiro de 2018. a banda consegue executar muito bem ao vivo este
trabalho! Digo isto porque, para este estilo de arte, trata-se de uma
tarefa nem sempre muito fácil de ser executada ao vivo. Para escutarem
este álbum cliquem no link abaixo:
Escutem aqui:
https://www.podsnack.com/Barbieri/avunaphu